Entendendo a Internet


 

O que é a Internet?

A Internet foi a mais revolucionadora novidade do final do século XX. Não apenas pelo que ela realmente é, mas pelo que representa em termos de perspectivas e pelo que tem demonstrado ser capaz de tornar realidade. Mas o que é realmente a Internet? A Internet é, para uns, a rede das redes, para outros, uma nova fronteira e, para muitos, infinita fonte de informação e diversão.

No fundo mesmo, a Internet é uma enorme rede que une milhões de computadores em todo o mundo. E como surgiu? Como funciona? Quem paga por isto? Quem toma conta?

Para respondermos a estas e algumas outras perguntas, vamos antes conhecer um pouquinho da sua história...

Uma Breve História da Internet

Nos idos de 1969, quando a guerra fria estava no auge, os cientistas norte-americanos, com o apoio do Departamento de Defesa, iniciaram o projeto de criação de uma rede de computadores que pudesse sobreviver a um ataque nuclear. Para isto, o que eles pretendiam era dispor de vários super computadores espalhados pelo país, com todos eles se comunicando, permitindo o compartilhamento de recursos, tais como: banco de dados, computadores de alto desempenho e dispositivos gráficos, entre os pesquisadores e fornecedores contratados pelo departamento. Inicialmente, era utilizada para pesquisa com fins militares, nesse caso, deveria oferecer confiabilidade e segurança. Assim, se um centro de computação de um determinado local fosse destruído, outros centros ainda existiriam para substituí-lo.

Não podia haver um único computador central, por que se houvesse, bastaria destruí-lo para que toda a estrutura parasse de funcionar. Foi criada desta forma a ARPANet, uma rede militar onde cada computador era capaz de se comunicar com todos os outros, de forma independente e sem nenhum tipo de controle centralizado.

Acontece que, com o passar dos anos, alguns laboratórios de pesquisa foram se integrando à ARPANet, logo depois ingressaram Universidades. Dentro de algum tempo, já havia mais atividade científica na rede que militar. O governo decidiu, então, separar a ARPANet em duas redes, a MlLNet (rede militar) e a Internet - a rede inter-redes.

Em 1987 seu acesso foi aberto ao público em geral, mas só em 1992 é que ela ganhou popularidade entre a maioria das pessoas, fazendo surgir os grandes provedores de acesso. Hoje, a Internet conecta mais de 40 mil redes no mundo todo.

Estrutura

A Internet funciona na base do cada um faz a sua parte. Vejamos no mapa como isto funciona.

Digamos que existam as seguintes ligações entre cinco computadores:

Acontece, então, que A deseja falar com B. O que ele tem que fazer? Uma vez que A está ligado diretamente a B, basta ele enviar a mensagem que precisa sem nenhuma complicação. E se A quiser mandar alguma mensagem para D? Aí, ele vai se perguntar: tenho alguma ligação direto com D? A resposta é não. Mas ele tem uma ligação com B. Então, envia a mensagem para B e pede para que B encaminhe a sua mensagem até D.

Assim funciona a Internet. Não é preciso que todo mundo esteja ligado diretamente com todo mundo. Basta que exista algum caminho entre a origem e o destino para que a mensagem chegue até lá. As ligações de maior importância e mais alta velocidade nesta rede são denominadas backbones (em inglês significa espinha dorsal).

As ligações, neste caso, podem ser cabos telefônicos, fibras óticas ou até mesmo canais de satélite. E quem paga a conta? Cada um paga um pedacinho. No mapa anterior, por exemplo, A pode pagar a ligação com B. B sustenta um canal com D e D um com C. Já C mantém um com B enquanto que E se liga a C. Neste exemplo cada uma sustenta apenas uma única ligação mas pode se comunicar com todos os outros. É uma espécie de trabalho cooperativo.

No caso da maioria das pessoas, elas tem acesso à Internet através de um provedor de acesso. Isto funciona assim: você, através de seu modem (é um dispositivo, normalmente uma placa, que permite que você ligue seu computador em uma linha telefônica. Com ele é possível transformar dados em sons para que eles trafeguem pela rede pública de telefonia e cheguem ao outro lado transportando sua informação), se conecta com um provedor de acesso. O provedor, por sua vez, mantém um canal sempre ativo com o provedor de backbone local - no nosso caso eqüivale à Telemar. A Telemar, através da Embratel, mantém uma ligação, por exemplo, com São Paulo. E a Embratel de São Paulo se liga a Washington, Londres, etc... É por isto que, mesmo que você esteja usando a Internet para se comunicar com alguém de outro país ou de outro continente, você não paga uma ligação internacional. Paga apenas a tarifa local, que corresponde à discagem para conectar seu computador ao do seu provedor de acesso.

Protocolos

Para que exista esta comunicação de forma organizada e controlada entre as muitas redes, e os equipamentos de diferentes tecnologias possam se comunicar, são utilizados protocolos estabelecidos internacionalmente.

E o que são protocolos? São normas relativas aos procedimentos de comunicação de uma ou mais redes. Na Internet é usado o TCP/IP ou Transmission Control Protocol / Internet Protocol (Protocolo de Controle de Transmissão / Protocolo da Internet).

O TCP/IP é a linguagem usada para a comunicação de dados na Internet. Ele funciona de modo semelhante ao correio tradicional, utilizando um esquema de endereçamento, associado a convenções de roteamento. Consta de vários protocolos, onde os mais usados são o TCP, responsável pela integridade dos dados, e o IP, responsável pela transmissão.

Os dados chegam ao seu destino através de endereços numéricos, definidos pelo protocolo, para os milhões de servidores da Internet. Estes endereços são chamados de endereços IP. Existe uma facilidade para que o usuário da Internet não tenha que ficar gravando números. São os nomes de domínio, que nada mais são do que os endereços numéricos convertidos. Exemplo: 200.18.288.128 é o endereço IP e ufba.br é o nome de domínio.

Velocidades

A Internet é lenta? A velocidade de tráfego de informações na Internet evoluiu bastante nos últimos anos, mas ainda existem muitos gargalos. O maior deles são os modems. Em geral, os modems utilizados domesticamente possuem velocidades entre 28.800 e 33.600 bps (bit por segundo; 33.600 bps equivale a 33.600 bits por segundo ou 4,2 Kbytes por segundo). Falando de forma efetiva, o que se consegue normalmente é transferir o equivalente a um disquete de 1,44 Mb em uns oito a dez minutos. Isto corresponde a quase um milhão e meio de letras. Pode parecer muito, mas devemos nos lembrar que freqüentemente estamos transmitindo ou recebendo, por exemplo, imagens. E imagens ocupam muito mais espaço de armazenamento do que textos.

Serviços da Internet

Muito dissemos até agora a respeito da estrutura física da Internet, mas ainda não falamos nos serviços que são disponibilizados através dela. Em verdade, a Internet em si é como a rede telefônica: apenas um canal por onde podem passar informações. As informações residem nos servidores, e são eles que nos prestam serviços.

Um servidor é um computador que fica conectado, 24 horas por dia, à Internet, enquanto que nós, normalmente só nos conectamos, no máximo, por algumas poucas horas ao dia. Entenderemos um pouco mais sobre o seu papel logo a seguir, quando falaremos dos serviços disponíveis na rede.

É através dos serviços que a Internet oferece, que o usuário pode desfrutar de seus imensos recursos. Cada serviço tem suas peculiaridades, vantagens e desvantagens. Alguns mais antigos oferecem apenas interface orientada a caracter, os mais recentes já incorporam figuras, gráficos, cores, e até pequenas animações. Uns permitem acesso a uma ampla gama de bibliotecas virtuais e informações históricas ou recentes, outros a comunicação on-line ou não entre os usuários da rede.

WWW

A WEB ou WWW (World Wide Web) é, junto com o e-mail, um dos serviços mais utilizados e mais populares da Internet. Tanto que, normalmente, as pessoas confundem a web (Teia de Alcance Mundial) e o e-mail com a própria Internet.

A web, interface gráfica da Internet, é um serviço através do qual documentos armazenados nos servidores da Internet podem ser lidos por qualquer pessoa da rede. Estes documentos trazem imagens, sons e animações, além de muita informação. Novamente fazemos uma pergunta típica: e quem coloca estes documentos por ai?

A resposta é: qualquer um que queira. Desde uma grande companhia interessada em divulgar seus produtos, a um aluno de faculdade desejando expor seus trabalhos de pesquisa ou um pai coruja que deseja por um álbum de fotos de seus filhos, todos podem publicar na Web. E isto é o mais interessante, o fato das informações estarem disponíveis para todos, de forma democrática e com enorme facilidade e liberdade de expressão. Claro que liberdade demasiada também traz seus inconvenientes...

Outra questão interessante é: o que motiva pessoas ou empresas a disponibilizarem informações, se o acesso a elas é gratuito? Normalmente a resposta se encontra ou em mera satisfação pessoal ou em estratégias de marketing.

Estes documentos possuem uma estrutura de hipertexto. Um hipertexto é um texto que possui em seu corpo indicações de outros textos. Um exemplo simples seria uma receita sobre culinária que, para cada ingrediente, trouxesse indicação de onde obter informação detalhada sobre o valor nutricional de cada um deles.

O caracter hipertextual se revela através dos links, que são estas indicações que nos remetem a maiores informações sobre o assunto ou desviam nossa leitura para outros textos diferentes.

São os links que fazem com que seja possível navegar ou surfar pela Internet. Navegar significa simplesmente sentar-se diante do computador e, sem digitar nada, somente seguindo os fluxos de informações e os links, deslocar-se de um ponto a outro do mundo, lendo, vendo e conhecendo o que existe aqui, ali e acolá.

Mas, se não fosse pelo caráter multimídia, a Internet não atrairia tanto a nossa atenção. A multimídia está presente através das imagens, vídeos e sons espalhados pelas páginas. Unindo ela com o hipertexto chega-se à hipermídia.

Navegadores

Browsers ou navegadores são programas que nos possibilitam tanto visitar e abrir páginas da WWW quanto enviar e receber e-mails. É por isto que eles são tão importantes, já que são a forma que nós temos de visualizar e interagir com as informações e os serviços disponíveis na Internet.

Como a Internet parece ser a maior fronteira atual da informática, a disputa pelo mercado de navegadores tem sido enorme. A princípio, uma empresa tímida denominada Netscape produziu os primeiros browsers de grande popularidade. O resultado disto foi que a empresa cresceu tanto e tão rapidamente que, em menos de cinco anos se tornou uma das gigantes mundiais do mercado de software, pondo em cheque a posição da Microsoft.

Para recuperar o tempo perdido, a Microsoft vem investindo pesadamente no desenvolvimento do seu próprio browser, o Internet Explorer. Tem dedicado milhares de analistas e muitos milhões de dólares para desenvolver um produto competitivo. Hoje, o Internet Explorer já é uma ferramenta mais fácil de utilizar e mais completa que o Netscape Navigator.

Determinar qual browser será o vencedor desta disputa ainda não é tão simples. Entretanto, com a popularidade do Windows 95 e tendo anunciado que com o Windows 98 o Internet Explorer já viria embutido, a Microsoft tentou vencer mais esta batalha mas ainda não conseguiu. Muitos ainda preferem o Netscape.

Endereços

Muito bem, agora já sabemos o que é a Internet, conhecemos alguns dos seus principais serviços e já vimos o que é um browser. Mas como eu chego aonde eu quero? Como digo para quem vou mandar um e-mail?

A Internet é cheia de endereços. Para cada tipo de serviço existe um tipo de endereço diferente. A maioria de nós já deve ter visto em algum lugar coisas como:

http://www.dcc.ufba.br ou amsf@ufba.br

As duas indicações acima são endereços da Internet. O primeiro é um endereço de WWW, serve para visitarmos páginas. O segundo é um endereço de e-mail, e serve para identificar a conta de uma pessoa no mundo.

Vamos observar primeiro a estrutura dos endereços de WWW. O primeiro aspecto aparente é o http://. Ele serve para indicar que tipo de protocolo o navegador irá usar para transferir os dados. Isto porque um navegador tanto pode transferir dados de FTP quanto de WWW, por exemplo. HTTP é para dados de WWW. Para FTP se utilizaria algo como ftp://ftp.ufba.br.

O segundo aspecto que notamos são os pontos. Eles servem para separar informações de domínios e extensões. No endereço www.dcc.ufba.br temos o seguinte tipo de informação: é um serviço de www, provido pelo DCC (Departamento de Ciência da Computação), que está localizado na UFBA e esta é uma entidade brasileira (.br).

Vamos ver outro endereço: www.uol.com.br

Este é o endereço do Universo On-line, um serviço de informação disponibilizado pela Folha de São Paulo. Você é capaz de dizer alguma coisa sobre a natureza deste serviço, somente observando seu endereço?

Vejamos, é um endereço de www, do uol (Universo On-line), organização com fins comerciais (.com) e brasileira (.br).

Em geral, vale a seguinte lei de formação para endereços WWW:

www.domínio1.domínio2. ... .domínion.extensão.país

Nenhum destes pedaços é obrigatório, mas freqüentemente aparecem. As extensões denotam a natureza da organização e as mais comuns são:

.com

í

comercial
.edu

í

educacional
.gov

í

governamental
.mil

í

militar
.net

í

provedor
.org

í

organizações (geralmente sem fins lucrativos)

Assim, o endereço da Caixa Econômica, por exemplo, é www.cef.gov.br enquanto que o da Ford no Brasil é www.ford.com.br.

Agora, o endereço da UFBA não tem o .edu (ao invés de ser www.ufba.edu.br é simplesmente www.ufba.br). Isto ajuda a mostrar que nem sempre a forma sugerida para composição dos endereços é seguida.

Outro ponto importante é a designação do país. No caso do Brasil o .br. Ele será encontrado ao final de praticamente todos os sites brasileiros. Veja a seguir a terminação adotada por alguns países:

.ar

í

Argentina .fr

í

França
.au

í

Austrália .pt

í

Portugal
.br

í

Brasil .jp

í

Japão
.ca

í

Canadá .us

í

Estados Unidos
.de

í

Alemanha .uk

í

Reino Unido

Entretanto, vale notar que as empresas e instituições americanas normalmente não utilizam o .us. O endereço da NASA é apenas www.nasa.gov, assim como o da IBM americana é www.ibm.com.

A Icann (www.icann.org), grupo de especialistas que regulamenta a Internet no mundo, já está discutindo a possibilidade de criação de novos domínios na rede. Muitos acham que devido ao enorme crescimento da rede, torna-se necessário constituir mais domínios, porém outros acham que novas denominações poderão confundir os internautas. Mesmo assim, no ano passado a Icann criou mais 07 novos domínios que devem aparecer em breve nos endereços http, que são:

.biz

í

para negócios
.info

í

uso geral
.pro

í

profissionais
.name

í

pessoais
.aero

í

indústria de aviação
.coop

í

museus
.museum

í

cooperativas

Muitas das regras válidas para construirmos endereços de WWW são válidas para e-mails. A maior diferença ocorre por conta do fato de que um endereço de e-mail precisa especificar além da instituição, o nome da conta do destinatário. Um endereço da UFBA, por exemplo, tem a seguinte forma:

nomedousuario@ufba.br

Onde nome é o nome da conta da pessoa, como amsf@ufba.br. O @ (arroba) por vezes é chamado de at ('at' em inglês, neste caso, significa 'em'). Como se fosse amsf em ufba.br.

Logo, um endereço de e-mail se assemelha a um endereço de WWW, mas sem o www. do início e pondo em seu lugar nome@.

Os domínios do mundo em números

Em 2001 existiam cerca de 35 milhões de endereços de Internet. Abaixo estão os números dos domínios mais utilizados:

Domínio

 

Quantos são

O que são

.com

í

22 milhões

uso geral

.net

í

4,2 milhões

uso geral

.org

í

2,7 milhões

de organizações

.co.uk

í

2,6 milhões

comerciais ingleses

.nl

í

633.000

holandeses

.it

í

492.000

italianos

.com.br

í

400.000

comerciais brasileiros

.com.ar

í

327.000

comerciais argentinos

.ca

í

208.000

canadenses

Estima-se que em dezembro de 2004 existiam 300 milhões de hosts e 60 milhões de websites no mundo.

Na URL http://www.zakon.org/robert/internet/timeline/ Robert H. Zakon mantém atualizado o estudo intitulado Hobbes' Internet Timeline, iniciado no ano 2000, onde mostra o desenvolvimento ao longo do tempo do crescimento da Internet com número de hosts, domínios e websites no mundo.

No endereço http://registro.br/estatisticas.html se pode encontrar dados estatísticos atualizados da Internet no Brasil.

Tendências

Como dissemos a princípio, a Internet não apenas tem uma expressão bastante significativa hoje como, acima de tudo, traz grandes esperanças para o futuro.

Com o aumento das velocidades de comunicação se tornará cada vez mais comum conversarmos com as pessoas pela Internet, transmitindo voz e imagem.

Os jornais tendem a ser todos on-line. A informação se torna muito mais fácil de ser localizada e pode ser obtida com muito mais rapidez. Além do que a Internet propicia um ambiente adequado para a fusão dos diversos meios de comunicação: rádio, televisão, jornal, etc.

A educação cada vez mais se interessa em se adequar para tentar usufruir dos benefícios proporcionados pela grande quantidade de informação instrucional disponível na rede. Pesquisadores e educadores se associam com o objetivo de discutirem e criarem métodos pedágogicos de inserção da Internet na Escola.

O futuro reserva um lugar de destaque para a rede das redes.

 

Departamento de Ciência da Computação
UNVERDIDADE FEDERAL DA BAHIA
Curso de Inclusão Digital - 2005